Impessoal e transmissível.

A leste, num passado recente.

Tatra (Checoslováquia)
Mikrus (Polónia)
Trabant (RDA)
Lada (URSS)
Yugo (Jugoslávia)

Das palavras com fonética a saber a libertinagem.

Interstício.

Sempre?



25 de Abril de 2009.
Em Santa Comba Dão, terra natal do ditador, foi hoje requalificado o Largo Oliveira Salazar. Segundo rezam as crónicas, o porco também esteve presente na ementa. [link]

Cãomenda.

Ao ver como os órgãos de comunicação social portugueses reagem à presença de um cão de água português na Casa Branca, não estranharei que o dito canídeo venha a ser proposto para uma comenda no 10 de Junho.

"Northern Exposure" à portuguesa.

Em Monção vende-se um viaduto.
[link]

Não estou.

Deixe mensagem depois do 'beep'



'beep'...

Ode minimal e repetitiva a um bicho às postas.

Arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia; arroz de lampreia.

Na Tasca do João

Com vinho verde tinto; vinho verde tinto; vinho verde tinto; vinho verde tinto; vinho verde tinto; vinho verde tinto; vino vedre tino; vivedte tin, vintin.

Imagens seminais. 78


1973. Don’t Look Now. Nicolas Roeg

“Comida” de Jan Svankmajer

Em 1992, calcorreando calçadas, bares e luas pela Lusa Atenas esbarrei, não sei exactamente onde nem porquê, num quarto de hora estranho, inquietante e de difícil esquecimento chamado “Comida”. Por aquela altura, esta dividia-se entre as cantinas “Amarela” a das “Químicas” ou a da “Associação”. De quando em vez, muitas vezes, lá parávamos no “Mimo”, na Rua de Saragoça, a despachar “bacalhaus à mimo” ou “parabólicas” ou as inolvidáveis moelas…
Naquele dia – foi à noite e já não sei se foi no TAGV ou na sala de estudos cinematográficos ou em qualquer outro sítio estranho em que se babava “poesia” pelo chão – esbarrei com os olhos nesta curta.

Reencontrei-a hoje.





Jidlo (1992) de Jan Svankmajer

Imagens seminais. 77


1998. The Thin Red Line. Terrence Malick.

1º post do ano.


Parece-me uma imagem interessante para primeiro post do ano. 20 dias depois do ano ter começado... e umas horas depois de Bush ter dito adeus à presidência dos Estados Unidos. O mundo livrou-se de Bush. Que venha Obama.
_____
Mudando de assunto.
Parece-me que Portugal ainda continua em peregrinação ancestral a um pequeno mundo que existia orgulhosamente só.
Ouvir o Sócrates a falar é olhar para um país opaco, desfigurado e que anseia por ralhetes de tiranetes.
_____
Não sei muito bem o que é que isto tem que ver com a imagem.

Bons augúrios para 2009.

2008 foi o ano em que se descobriu que neste país tudo pode falir desde a coluna vertebral do senhor Sócrates, Primeiro-Ministro, até à crença na Justiça… tudo pode falir menos os Bancos dos amiguinhos.
2008 foi o ano em que se descobriu que a recessão é um conceito subjectivo que só entra em Portugal quando o senhor Sócrates, Primeiro-Ministro, o permitir e durará apenas o tempo que lhe convier.
2008 foi o ano em que o líder da oposição demonstrou o desejo de cancelar a democracia por 6 meses.

No entanto, a última capa da revista “Trombas” dá-me a esperança de que 2009 será um excelente ano: a Castelo Branco e o Lady Betty vão-se embora.

MEO: a incompetência é deles.

Quase no fim de ano é sempre agradável observar como a PT (por causa do serviço MEO) consegue bater recordes de demonstrações de garotice e incompetência. O caso já deu direito a reclamações formais, informais e outras que tais… o mais interessante é que ainda não tenho o serviço instalado e já dava para escrever uma saga sobre como se escarra num potencial cliente.
Interessante é que só comecei a ver alguns laivos de competência quando lhes comecei a pagar na mesma moeda.

Que seja um feliz Natal



[A imagem é um trabalho do Nuno Branco SJ (link)]

A idiossincrasia dos Super Heróis. 16

Domingo no mundo.

Eu sei que ia escrever sobre uma outra coisa qualquer. Eu sei que não era sobre isto. Mas o almoço começou tarde e durante todo o almoço, que também acabou tarde, só se ouviu Tom Waits e Daniel Melingo, além das nossas vozes (é claro). O vinho era tinto, claro. O bacalhau era bom. A Paula cozinha pratos de bacalhau como mais ninguém que eu conheça, incluindo os senhores que preparam o bacalhau no restaurante “Casa do Bacalhau”. Chove lá fora e Lisboa está cinzenta. Combina-se a ida ao Chiado. Gosto de coisas aconchegadas e este é um Domingo aconchegado entre um Sábado e um dia feriado. Aconchegado no frigorífico já está a Moet et Chandon para abrir na quinta-feira, depois das dez e meia da noite. O Tom Waits ainda canta, agora é o Romeo is Bleeding…

Se a Confeitaria Nacional estiver aberta ainda lá vou buscar o primeiro bolo-rei deste Natal. Na sala está o 'North by Northwest' para ver e rever bandidos com cachet e vítimas com glamour e sentido de humor. Não me canso de ver como a vida é, também, um equívoco de linhas cruzadas. E aquele comboio a entrar no túnel…

Hoje também é dia de fazer a árvore de Natal. Como se fosse possível fazer árvores.

Entre o mito de Anteu e um frigorífico.



Fica a recordação de regressar às raízes, num fim-de-semana alargado, e encontrá-las nevadas. Como aqueles nevões gelados na rua e aconchegantes em casa que povoam as recordações da minha infância.
Ver e sentir, no sábado, a casa do guarda, na Serra da Gardunha, coberta de neve foi um agasalho para a memória.

Imagens seminais. 76


1951. The River. Jean Renoir.

Se foi "solenemente... a malta acredita.

Cavaco Silva, Presidente da República, acerca de umas trapalhadas quaisquer alegadamente feitas por um amigo de longa data:

«Recebi o doutor Dias Loureiro que me garantiu solenemente não ter cometido quaisquer ilegalidades no uso das suas funções como administrador da sociedade do BPN

De Obama a Moisés.


"Prometo-vos que nós, enquanto povo, chegaremos lá!"

Estas foram as palavras de Obama. Tenho a sensação de que já ouvíramos estas palavras proferidas por... Moisés.
Se se confirmar este desígnio, o Médio Oriente continua a ser o objectivo dos americanos.


Agora o grande tema já não é a tentativa de criar a ilusão de que há dúvidas sobre a derrota de McCain. Agora o interesse é o “Efeito Bradley", ou seja, saber quantos americanos tiveram vergonha de dizer publicamente e assumir nas sondagens que não votariam Obama. E eu que pensava que a isso, em português, se chamava o “Efeito Eanes” ou, mais recentemente, o “Efeito Soares”…

Há quem diga que "isto ainda é um bocado cedo para se saber quem ganha". Para mim, começa a ser um bocado tarde para ir para a cama.

É o "Efeito Xixi-Cama" a ganhar ao "Efeito Bradley"


O Mário Crespo está em directo de Washington. O meu zapping levou-me até à SICN. Vou mudar de zapping. O Pacheco Pereira, o senhor do Abrupto, disse agorinha mesmo na SICN (não foi bem agorinha, foi antes de ter aparecido o Mário Crespo) que não está entusiasmado com as eleições. Mas mais interessante foi ter dito que se estivesse nos States votaria em McCain.

Haja alguém que explique a Pacheco Pereira e a Maria de Belém que os portugueses não podem votar nas eleições norte-americanas. Não é uma questão de estar lá (nos States) ou de estar em Freixo de Espada à Cinta. É uma questão de nacionalidade.

Há já quem diga que o McCain está arrependido de não ser português, só para ter a honra de ser votado pelo Pacheco Pereira.


Agora, estou a gostar de ver "portugueses ilustres" a beber copos no Hard Rock Café em Lisboa. Entre os portugueses ilustres está a senhora dona Maria de Belém. O jornalista, Bernardo Santos, perspicaz, observa o pin de Obama que a senhora dona Maria de Belém traz ao peito. O jornalista, perspicaz, pergunta à senhora dona Maria de Belém se a senhora dona Maria de Belém votou em Obama. A senhora dona Maria de Belém, que por um mero acaso é portuguesa, diz que sim.

Diz que hoje há eleições nos States. 11



Na RTPN, um cavalheiro chamado Pedro Magalhães traz uma camisa, um colete de malha e uma camisola interior. Faz análise política e demorou doze segundos a dizer "um conjunto de circunstâncias".
O João Adelino Faria traz um fato às riscas. Estão os dois a esforçar-se para me fazerem acreditar que a "coisa" está muito dividida. Vou fingir que acredito que o Obama pode ainda não ter vencido.
Vou estar atento à Fox. Diz que, quando a "coisa" está dividida, a Fox decide quem ganha.
O Pedro Magalhães demorou 4 minutos para dizer "candidato negro". O João Adelino fala no "factor raça". Continua de fato às riscas. O Pedro Magalhães fala do "termo pouco científico da raça do eleitor e da raça do candidato".
Raça de suspense. Estou mesmo entusiasmado!


23:31-João Adelino Faria, na RTPN, diz que no Kentucky, com 1% dos votos contados (ainda se diz contados ou no novo jargão-técnico já não se pode contar votos?), o outro vai à frente com 60% do tal 1% dos votos.
23:32-João Adelino Faria diz que a meia-noite será uma hora mágica.

McCain, o outro, votou no Arizona. Foi o Estado onde houve menos filas de eleitores. Os republicanos nunca gostaram de bichas.


Diz que agora todos somos Obama. Já todos tínhamos Amália na voz, agora temos Obama no coração e um punhado de dólares no horizonte. Nacionalize-se o horizonte!

Diz que a vitória 'pende' para Obama. E Obama será que pende? Será que haverá um programa desportivo que faça uma pergunta aos ouvintes do género "Quem é que acha que ganhará as próximas eleições nos Estados Unidos? hipótese a) Obama; hipótes b) O outro; hipótese c) Jesualdo Ferreira."
E o Clinton? Ninguém fala do Clinton? Porquê? Não pende?

Diz que o Obama se candidata contra o Pluto, o cão do Mickey. Olhe que não, olhe que não. Diz que é contra o McCain que até tem cicatrizes e tudo. Será que todos os indecisos da América têm a coragem de tomar decisões? Diz que Chicago fica no Illinois e o Illinois fica nos States e os States ficam no mundo e o mundo fica entre São Bento e o Intendente.
Será que serão milhões a festejar a vitória do Obama? E no Quénia, será que sabem quem foi o capitão Kirk?
Diz que o Chelsea ganhou à AS Roma.

Cá para mim, isto do BPN ainda vai dar mau resultado para muita gente, mas não para quem se abotoou (palavra parecida com o Mr. Magoo) com o dinheiro . No entanto, o Governo fez bem em nacionalizar, diz o Ricardo Costa. O Estado ficará com 27% da banca nacional. A banca nacional passa a ter 27% de descrédito... a crédito.
E o Obama, ganhará o Óscar? Se não for ele, que seja o Mr. Magoo.

Diz que aquilo do BPN é uma grande trapalhada do Governo. Há quem diga que os ladrões vão ser indemnizados. Há quem diga que os pêlos amarelos do Miguel Veloso são cabelos.
E o Obama, viram aquela lágrima que ele chorou por causa da avó? O homem merece.
O comentador do jogo entre o Shaktar e o zbórding parece uma cabra histérica a parir um bicho feio com um penteado igual ao do Miguel Veloso e um rabo parecido com o do Rochembolha.
Será que o Obama já teve algum momento de entusiasmo com a senhora Pallin?

Diz que sim, mas também há quem diga que tudo não passa de talvez. Pelo sim pelo não vou esperar para ver.

Diz que o Vieira da Silva (Ministro da Solidariedade e da Segurança Social ou coisa que o valha)pensa que os portugueses são todos tolinhos. Diz isto como quem pensa que são todos socialistas. O Banco de Cabo Verde diz que avisou o Banco de Portugal para o que se estava a passar no BPN.
Será que Obama gostaria de ver um espectáculo dos Pauliteiros de Miranda na companhia de alguém que tivesse uma conta offshore?

Diz também que hoje o bar da Assembleia da República ficará aberto até perto da uma da matina. Será que também vai ser nacionalizado? Será que vamos observar a recapitalização do croquete, do pipi e do pastel de nata?
Será que o Obama algum dia provou um pastel de nata? E o Vítor Constâncio?

E somos todos tão amigos. E o Portas diz "colaborantes". E o Paulo Rangel diz "encapotadamente" e "inversão da transparência". E o rapaz do PCP diz "pá" e a seguir diz "sonegação". O Sócras nacionaliza e nada diz.
Na televisão dizem que há eleições nos States. Diz que vai na volta ganha o Obama.

Viajar num caderno.

Há pessoas de quem temos o privilégio de poder dizer “é meu amigo”. O Nuno é uma dessas pessoas. Anda agora por Madrid e faz-nos viajar pelas suas viagens no melhor blogue que surgiu nos últimos tempos. Eu sei que não conheço todos os blogues que surgiram nos últimos tempos, mas este é o melhor. Sem dúvida.



http://cadernoviagens.blogspot.com/

Imagens seminais. 75


1958. Cat on a Hot Tin Roof. Richard Brooks.

A idiossincrasia dos Super Heróis. 15

De Malevich a Queiroz.

Texto que publiquei na "Tertúlia Benfiquista"




O problema de Carlos é que é um Queiroz numa terra em que o julgam Queirós. Se o avaliassem como Queiroz, certamente que o perceberiam. Mas não, isto é terra de choldra e de choldra não passará.

Falemos de Queiroz e não do outro. Queiroz é um iluminado inovador e, como todos os iluminados inovadores (veja-se Santana Lopes outro adiantado mental… talvez daí resulte o choque de egos), é um incompreendido. Ninguém compreende que Queiroz não está agarrado à táctica do quadrado que tão bons resultados deu em Aljubarrota ou à táctica do losango que tão bons resultados dá com Mourinho (uma espécie de Condestável) e tão peculiares resultados dá com Paulo Bento (uma espécie de padeira). Estes conceitos medíocres como o do losango já não fazem sentido na pós-modernidade da geometria futebolística. Queiroz sabe-o. Queiroz revoluciona e evoluciona, criando um novo conceito de arte e geometria futebolística assente nos pressupostos do suprematismo.
[...]


Continua aqui:

Um chapéu entre a tragédia e a comédia.


Advertising Agency: Serviceplan Hamburg / München, Germany

Imagens seminais. 74


1948. Arch of Triumph. Lewis Milestone.

Python Fedorento

Post(er) making



Escrever um post. Escrever um poster.
Cada vez mais difícil, cada vez mais raro.

Paredes, muros e outras elevações morais. 1



Pormenor de parede em Salamanca (2008), terra de vetusta sabedoria. Terra cor de palha.

Obrigado. É tudo.


Apetecia-me escrever sobre Shakespeare e o melhor que consegui arranjar foi esta imagem.

A idiossincrasia dos Super Heróis. 14

Imagens seminais. 73


1959. Hiroshima Mon Amour. Alain Resnais.

CR7

Com três caracteres apenas se escreve o carácter da parolice do novo-riquismo. (link) e (link)

Aste Nagusia - Bilbau - 2008

À chegada a Bilbau não se procurava o que se encontrou. E o que se encontrou foi a surpresa agradável de a nossa chegada ao hotel coincidir com o início da Bilboko Aste Nagusia 2008, a semana grande de Bilbau, ou seja, festa rija durante uma semana.

A partir desse momento interessa apenas deixarmo-nos ir. O melhor de Bilbau está nas gentes, nas suas gentes (no plural). O turista chega a uma cidade genuína que tem o bom gosto de não se adaptar ao estrangeiro, ao estranho, mas sim deixar que o viajante se adapte a ela. Assim que nos adaptamos à cidade e às suas gentes, sentimo-nos bem, sentimo-nos membros da comunidade e quando a comunidade nos brinda com uma festa, com uma aste nagusia, só podemos agradecer, desfrutar e partir com a saudade e com o desejo do regresso.

Falo-vos do começo e não vos falo do final.
No começo é a aglomeração, é a junção de gentes e de vontades para, num espaço simbólico da cidade, assistir ao momento simbólico do txupinazo e do aparecimento dessa figura simbólica da folia que é Marijaia. Passado o simbolismo inicial, começa o louco ritual do festejo dos inícios. Em seguida, a romaria por barracas, tendas e afins, todas muito politizadas, das diferentes peñas da cidade, todas a bordejar uma das margens do rio Nervion (a margem oposta à do Guggenheim). É, então, chegado o momento de molhar a garganta com a cerveja ou a cidra e começar a petiscar. Passada esta primeira fase, seguimos o mar de gente que desagua nos diferentes rios, ribeiros e riachos que são as ruelas do casco viejo. A dimensão do caudal diverge consoante a largura da rua e a quantidade de bares da mesma. Vai-se seguindo a maré ao sabor dos ventos, do acaso e das sonoridades com que artistas de rua vão encantando os navegadores de ocasião. Experimentam-se uns quantos bares e pinchos até que se encontra um porto de abrigo que vá ao encontro das nossas expectativas. Acabámos por nos sentir em casa na Taberna Bukoi, na Calle Nueva do casco viejo. E nesta Taberna Bukoi acabámos por assentar amarras no final de cada uma das noites que se seguiram à primeira. Desde os pinchos, elevados à categoria de arte, até à cerveja, passando pelo ambiente dentro e fora do bar e terminando na simpatia de quem nele trabalha, este bar acabou por marcar o encerramento de cada uma das noites de peregrinação nesta singular Aste Nagusia.

Depois destaca-se a harmonia em que pode coexistir a multiplicidade e a diversidade de gentes (no plural): desde as mais destemperadas tribos urbanas à avozinha simpática e clássica todos coabitam neste espírito de festa, todos a dançar a música de Kepa Junkera que acabou por se tornar o hino da Aste Nagusia [link], todos com o lenço azul das festas ao pescoço, lenço que acaba por marcar todos os que estão sob o signo de Marijaia todos os anos renascida das cinzas, tal como esta Bilbau que exibe as suas cicatrizes (e não são poucas) do passado com a mesma confiança com que olha para o futuro.
Quanto a este, se pudermos, para o ano lá estaremos.
_____

Taberna Bukoi e aviso numa das barracas de que não se serve nada até que passe Marijaia.


O momento simbólico do txupinazo e até o cão traz o lenço das festas.

A ameaça de Valentim.

Segundo o Expresso de hoje, Valentim Loureiro ameaça apoiar Sócrates nas próximas eleições. Espero que, perante tamanha ameaça, Sócrates desista da recandidatura.

Tibete, amigo, Portugal está contigo!

Certamente que o Tibete agradece a forma inovadora que os atletas portugueses encontraram para boicotar os jogos olímpicos de Pequim. Se não fossem aqueles dois atletas do meu Benfica a estragarem a unanimidade do boicote, certamente que este teria sido bem mais eficaz.

Post ligeiramente mais tolo do que o post de férias do ano passado.

Olhando para a quantidade miserável de posts que escrevi desde Agosto do ano passado, até parece mal escrever o que vou escrever. Mas escrevo-o na mesma, utilizando a mais ridícula das hipálages que se escrevem por estas alturas na blogosfera: este blogue vai de férias.

zé-fáiles


Acabei de ver mais o mais recente episódio dos x-files. Vi-o num cinema, dura aproximadamente 90 minutos e é um excelente episódio. Aquilo acaba e todos queremos acreditar que na próxima semana há outro novo episódio num cinema perto de nós.



08-08-08

A malta aqui também gosta de argolinhas e bolinhas e do simbolismo das bolinhas do oito e da bolinha do zero e das argolinhas dos jogos e das argoladas da política e do conforto que alguns sentem em dizer que o desporto não se mistura com a política e outras argolinhas afins.

Prémio: a feliz idiotice de criar títulos candidamente tolos

Ainda assim, preocupar-me-ia mais com os pombos...

Sobre a imortalidade efémera e o suicídio do rato Mickey.

Post ligeiramente obtuso e bastante inútil. Vai de Régio ao suicídio do Mickey, passando por Ivan Mosjoukine.

Há alguns anos dei comigo a escrever sobre a contribuição de José Régio para a revista Presença, particularmente sobre a subestimada capacidade de Régio como observador crítico de cinema.
Entre alguns outros textos sobre cinema, Régio escreveu as cinco “Legendas Cinematográficas”, textos com os quais muitos dos actuais críticos de cinema podiam aprender, e uma dessas “Legendas” é dedicada a Ivan Mosjoukine (Ivan Mozzhukhin) que, em 1923, no filme “O Braseiro Ardente”, acabou por contribuir para a criação de um novo estilo de interpretação. Mosjoukine era um (o) mais admirável actor da companhia russa de Evreinov. Numa época em que o cinema pouco mais era do que embrionário, alguns (entre os quais Régio) já conseguiam ver valor estético, arte, metáfora e criação onde muitos viam apenas um mero entretenimento de feira. Foi com o texto sobre Mosjoukine que Régio afirmava o cinema como arte, aproximando Mosjoukine a Oscar Wilde e definindo a sua arte tal como se define a arte de um poeta ou de um pintor. Em seguida, Régio escreveu sobre Chaplin, Buster Keaton, Nicolas Rimsky e Emil Jannings.
Hoje em dia, falando com alguns aprendizes de feiticeiro e habituais habitantes desse Oz que é a Cinemateca, apercebo-me de que Mosjoukine já nem para os académicos tem grande relevância: ou ignoram a sua existência ou ignoram a sua importância. O que é certo é que o ignoram. Não vem dessa ignorância mal algum ao mundo. No entanto, não deixa de ser interessante observar como o conceito de que a imortalidade é imorredoira é, por si só, mais fugaz do que a efemeridade da vaidade que o criou.
Recentemente, dizia-me um amigo cinéfilo que no cinema quem está fadado à imortalidade não é o criador, mas sim a criatura. Esta heresia consubstanciava-se no exemplo de que actualmente já poucos reconhecem o senhor Walt Disney, mas todos sabem quem é o rato Mickey. Descontando a falácia chocarreira do exemplo, descubro na obra de Eva and Franco Mattes aka 0100101110101101.ORG que o próprio Mickey, certamente depois de ter lido os oráculos (esta denominação merece uma tese) dos noticiários da TVI, decidiu por termo à sua imortalidade.

Espero não ter de um destes dias reconhecer que as notícias sobre a morte do rato Mickey foram ligeiramente exageradas.
_______________
Peço desculpa pela interrupção, o silêncio neste blogue segue dentro de momentos.

Eu ratifico, tu promulgas.


Ontem, Cavaco (o Silva) promulgou o acordo ortográfico que o Parlamento (o português) ratificara.

"The Happening"

Fui ver o mais recente filme do realizador M. Night Shyamalan, "O Acontecimento". Não é muito mau. Para quem quiser ver um filme sobre o vento como personagem, aconselho o clássico "The Wind" de Victor Sjöström; para quem quiser ver um filme sobre a inexplicabilidade do mal associada à culpa sem redenção, aconselho "The Birds" do mestre Alfred Hitchcock.
Para quem quiser um filme sobre os traumas americanos do 11 de Setembro misturados com o castigo sem culpa, o vento como veículo de uma espécie de quercus irae e um omipresente microfone como protagonista, então vai deliciar-se com "The Happening".


Imagens seminais. 72


2007. Control. Anton Corbijn.

A imprevisibilidade da comédia do quotidiano.


A imagem é retirada do filme Der Letzte Mann de Murnau.

Holanda proíbe tabaco nos charros.

Aproveitando a oportunidade, peço que se proíba, pelo menos em Portugal, a mistura de água tónica no gin.

A imobilidade do olhar



Cassiano indian at San Antonio Mission, said to be 136 years old, circa 1880.

Imagens seminais. 71


2007. No Country for Old Men. Ethan Coen e Joel Coen.

Imagens seminais. 70


2000. Werckmeister Harmonies. Bela Tarr.

A minha mensagem para a Federação Portuguesa de Futebol.


Como complemento, aqui deixo o início de um texto que escrevi para a Tertúlia Benfiquista

A posição que hoje a UEFA tomou é legítima e era expectável perante as piruetas que a justiça desportiva portuguesa tem efectuado.
Efectivamente, as posições recentes que exalam (e o fedor é grande) dos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol não fazem temer o pior (pois o pior já aconteceu no quarto de século em que o roubo tem medrado nas práticas do clube do famoso corrupto na forma tentada que sistematicamente suja o nome de uma cidade portuguesa), mas fazem temer que, mais uma vez, as práticas camorristas da ameaça física, da coacção, da intimidação psicológica e da impunidade dos criminosos vão continuar e vão dar frutos junto dos juízes de apito e calções; assim como frutificarão, pelos vistos, junto dos outros que acreditam que o uso da beca faz o juiz.

[...]

Continua aqui:
http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/807555.html

Num país de brincar...

10 de Junho.



Eu acredito nos líderes do meu país.

Ao cuidado da segurança do Rock in Rio.

Eles, aqueles rapazes que foram cantar ontem no Rock in Rio antes do Lenny Kravitz, até cantaram bem. A parte mais aborrecida foi uma senhora ligeiramente afectada que subiu ao palco e decidiu estragar o concerto dos dois rapazes.

Da morte de Alfredo Saramago

Às duas por três chega a notícia de que morreu o Alfredo Saramago. Vou aos jornais, espero pelos noticiários e o que me chega da morte dele é um triste nada comparado com o que ele saboreou da vida. Um redondo nada. Não é noticiado como entrada, nem como prato principal, nem como sobremesa. Este homem que saboreou o mundo como saboreava o seu Alentejo e vice-versa parece não caber neste país. Não cabia em vida e não cabe depois da vida.
Pior para o país.

Imagens seminais. 69


1997. Cube. Vincenzo Natali.

Eu estive lá...



Estive lá no primeiro dia, no dia do regresso. Estive lá durante, e estive lá no final do caminho. Estive e vivi a emoção de ver a despedida de um adepto do Benfica que teve a felicidade de se tornar num dos maiores futebolistas da História do nosso Clube, num símbolo do Benfica.
Obrigado, Rui Costa.

Entre les deux, mon coeur balance...



Sinto-me dividido entre o “A Pouco e Pouco” do José Cid e este hino ao lirismo chamado “Poesia” das São Lindas. A composição do Cid surpreende-nos pela constante superação do inesperado a cada verso (veja-se como quando se pensa que nenhum verso pode ser mais espiclondrífico do que o anterior, surge a famosa resposta ao dilema existencial apresentado pela senhora: “não sei viver sem ti, amor. Não sei o que fazer”).

Mas o duo luso canadiano São Lindas, além das agradabilíssimas vozes e de toda a carga poética presente no verso “saio com os meus amigos, cantamos e rimos”, surpreende-nos pela engenhosa solução de ter criado com os nomes das cantoras, Conceição e Deolinda, o nome do dueto… São Lindas.

Não é fácil decidir.

Em acordo com o desacordo sobre o "acordo"

Código genético.

Não há Alcácer-Quibir, não há Aljubarrota, não há Maria Papoila, não há Nau Catrineta, não há gatafunho histórico que não esteja presente no nosso quotidiano de portugalidade. E convém não esquecer que o bacalhau está em vias de extinção.

Da clandestinidade.

Há em mim um trautear comigo de um cântico interdito. Depois, em redor, são Cireneus que vislumbram, acompanham, mas não o ouvem.

Off

Ligo a televisão e vejo um espectáculo chamado “Vozes de Abril”. Entre o bom, o mau e o sofrível surge uma moçoila a cantar o “Barco Vai de Saída" do Fausto. O Fausto não merecia ser cantado em guinchos e tiques de rancho folclórico. Foi mau, muito mau.

Mais um cravo no cravo.



A liberdade chegou, foi ficando, foi-se banalizando, foi-se envergonhando e foi-se aburguesando. Vive envergonhada e vai definhando. Lentamente, sem que ela própria se aperceba. Está agrilhoada numa Justiça de terceiro mundo com cheiro a bafio.

Ler para além da aparência.

“Um queque leva muito mais gordura na massa do que um pão-de-ló.” *


*ouvido na Rádio Comercial

Literatura para sentinas, lavabos, casas de banho ou WC.



Mais propriamente para ler na retrete.

Estrume - Miscelânea sobre o Outro, o Estranho e o Repugnante” de Miguel Clara Vasconcelos e Nuno Mourão.
Da obra se mandaram fazer 500 exemplares numerados e da obra se incentiva a policópia aleatória para afixar a obra onde se obra.

O meu exemplar está carimbado com o número 365 e descobri-o na Vida Portuguesa.

Entre a derrota e o fim do mundo.

Texto que ontem publiquei na "Tertúlia Benfiquista"

Como um ou outro dos meus colegas de blogue sabe, aquele dia tinha (para mim em termos pessoais e na minha vivência do Benfica) tudo para ser um dia especial. E acabou por ser um dia especial, mas com um sabor muito amargo.

Olhava para aqueles jogadores e para aquelas camisolas e não via nem uma equipa nem o meu Clube. Aquele não é, não pode ser, o meu Benfica. Falta-lhe muito para o ser. Faltou àqueles futebolistas a capacidade de se transcenderem, a capacidade de sofrer, a capacidade de sentirem vergonha pela desproporção entre o ordenado que ganham e o futebol que produziram, a capacidade de sentirem vergonha pela desilusão que provocaram, pela impunidade com que vestiram a nossa camisola, uma camisola que para alguns apenas serve para dela se servirem. Isto foi o que lhes faltou.
[...]

Continua aqui:

http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/789899.html

Ao cuidado dos pombos.

Ouvi dizer que, na Madeira, estão a pensar fazer uma estátua do Alberto João Jardim.

[link]

A pergunta que se impõe.


É esta a pergunta. Com esta cara de cão safado, de charuto apagado e que imagino mascado. Agora, as bailarinas que respondam.

A imagem é retirada do filme The Steel Helmet de Samuel Fuller.

Kusturicando

Um país em delírio é um país que faz dezenas de programas televisivos com especialistas a teorizar sobre as normas de utilização de telemóveis. Um país que perde tanto tempo com um assunto destes é um país impossível. Até o José Gil entrou na celebração da impossibilidade…

Anotações transtaganas. 2



Nem sei se entre aquelas duas localidades há alguma daquelas herdadas rivalidades tão puramente lusas que enxameiam as nossas vizinhanças toponímicas. Não sei. Sei que entre a placa que delimita o fim de Flor da Rosa e a placa que nos diz chegados ao Crato distam oitocentos metros medidos no conta-quilómetros do carro. Oitocentos metros, apenas. Sei que, sem razão alguma, a existir alguma rivalidade das tais, optaria por Flor da Rosa.

Bastaria o nome. Flor da Rosa é um nome portador de uma tal elegância semântica que até parece ser um desperdício utilizá-lo em algo cortado a meio por uma estrada. Mas é o nome daquela povoação e uma povoação com um nome assim só se pode sentir honrada. Além do nome, Flor da Rosa acoitou-me numa edificação, o Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, em cujos aposentos viveu D. Álvaro Gonçalves Pereira, pai de D. Nuno Álvares Pereira. Daí muitos acreditarem que este último nasceu em Flor da Rosa. Assim, Flor da Rosa tem em seu favor nesta hipotética justa já ter parido um Santo. Contra isto, o Crato tem apenas a apresentar ser terra de priores… mas estes viviam em Flor da Rosa.

Mas há algo mais que faz de Flor da Rosa uma povoação ímpar: a proliferação de espantalhos.
Nunca tinha visto tal coisa. Primeiro vimos um encostado a um sinal de trânsito, depois outro e outro, e mais outro e outros tantos. Estavam nas esquinas, sentados nos bancos, encostados aos postes, a descansar em árvores, à sombra, escarrapachados nos bancos, à beira da estrada, nos quintais… Parecia que a desertificação daquela terra com pouco mais de trezentos habitantes se combatia com os espantalhos. O caso era tão intrigante quanto insólito. Isto da curiosidade é como a sede: ou se mata ou nos mata. Matámo-la no “Cantinho da Margarida”, que à porta tinha um drama de espantalhos, desde a noiva ao borrachão, em quadro neo-surrealista transtagano. Era apenas, e com toda a naturalidade, mais um concurso de espantalhos. Obviamente. E assim, a Margarida no seu cantinho lá nos explicou como os espantalhos são tradição da Semana Santa. Obviamente.

Anotações transtaganas. 1

Retorno ao Alentejo, à terra transtagana. Desta vez desaparelho o carro no Crato, mais concretamente em Flor da Rosa. Depois do fantástico ensopado de borrego, depois das primeiras fotografias e da necessidade de observar para onde atiro o olhar, regresso às palavras de Miguel Torga:

«Terra da nossa promissão, da exígua promissão de sete sementes, o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito e a realidade dum solo exausto
in "Portugal" de Miguel Torga

A aselhice de Paulo Nogueira


Paulo Nogueira mantém uma interessante página de crítica televisiva no "Correio da Manhã". Na edição de hoje, Paulo Nogueira insurge-se, e bem, contra os erros gramaticais de concordância que um locutor da TVI terá proferido.

O problema é a aselhice com que o próprio Paulo nogueira escreveu… azelha. É com 's', senhor Paulo. É aselha.

Provavelmente não é o melhor melão do mundo...



Mas sempre se pode saborear enquanto se ouve Herbie Hancock e Miles Davis a interpretar Watermelon Man... e acompanhado de uma Carlsberg bebida de penálti.

Há quem lhe chame "espreitar".



Não há cinema sem voyeurismo. Não há voyeurismo sem a indiscrição do olhar na janela de Rear Window.

Para espreitar em HBO voyeur.

Da série “coisas estranhas que se vêem”. 8

Arthur C. Clarke



Quem não se recorda?

A Nave dos Loucos

Texto que publiquei na Tertúlia Benfiquista:

Sebastian Brant publica Das Narrenschiff (a Nave dos Loucos ou o Navio dos Loucos) em 1494. Publica essa obra marcante durante o Carnaval. E faz todo o sentido que assim tenha sido, pois o
Carnaval é o tempo do mundo-às-avessas, da sem-razão. Muitos foram os que se sentiram inspirados por essa obra e outros tantos foram os que a reinterpretaram literária ou pictoricamente. De entre estes últimos destaco Bosch e o seu famoso quadro com o mesmo nome da obra de Brant. No desenvolvimento medievo-renascentista do conceito da nave dos loucos, recordo a interpretação que Nilda Guglielmi faz da leitura do poema de Brandt. Segundo Guglielmi, Brant teria imaginado duas naves: uma que se dirigia para a terra dos loucos (Narragonia), terra de deportação e provação, e outra que se dirigia para uma terra de promissão (Pays de Cocagne). Em qualquer dos casos só os excepcionais podiam aceder a qualquer das terras. O problema é que muitas vezes não se conseguiam distinguir os sábios dos loucos, e outras tantas vezes, na mesma nave, navegavam sábios e loucos. Contrariamente à lei, nem todos os loucos se distinguiam pelos guizos, nem todos os loucos se faziam anunciar pelas campainhas.

Olho para o nosso Benfica e não posso deixar de me lembrar da imagética da nave dos loucos medieva.

[...]

Continua aqui:

http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/781977.html

A culpa é da sopa de peixe.

Enquanto se jantava uma fantástica sopa de peixe, algumas dúvidas existenciais surgiram:
O que é feito de Alcina Lameiras, a tal que nos dizia: "não negue à partida uma ciência que não conhece"?
O que é feito de Carmelinda Pereira do POUS, aquela senhora que nos tempos de antena dava sempre umas interessantes notícias sobre as últimas concentrações dos camaradas para umas jornadas de luta contra o imperialismo?
O que é feito do fantástico cortinado bege que estava atrás da senhora camarada Carmelinda do POUS nos tais tempos de antena, e que servia de fundo ao relógio que indicava que lhe iam cortar o pio até às próximas eleições?
O que é feito das próximas eleições? Se a Alcina Lameiras se candidatar, voto nela.

Procrastinação

Sobre a demissão de Camacho.

Texto que publiquei na Tertúlia Benfiquista:

A minha opinião sobre José António Camacho já alguns a conhecem: sou um indefectível defensor do homem e do treinador.
Não sou um defensor de Camacho por mero acaso, sou-o porque aprendi a respeitá-lo enquanto treinador e enquanto homem. E aprendi-o com base no que ele nos deu durante a sua primeira passagem pelo nosso Benfica: deixou uma equipa vencedora e deixou condições para que essa equipa continuasse vencedora. Mais, muito mais do que isso: moralizou aquela verdadeira fantochada que era a contratação de futebolistas a peso e servindo os bolsos de uns quantos ratos. Mais, muito mais do que isso: mostrou a muitos ratos como se comportam os homens.

Continua aqui:

http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/778516.html

Imagens seminais. 68


2003. American Splendor. Shari Springer Berman e Robert Pulcini.

Imagens seminais. 67


2007. There Will Be Blood. Paul Thomas Anderson.

Logo pela manhã...

Parvónia.

Foi hoje reaberta a estação do Rossio. Vejo a notícia na televisão e olho para o esplendor da parvónia. Hoje à tarde viajar pelo túnel do Rossio era de borla. Não sei se é o efeito da palavra “borla” ou se é o efeito de muito séculos alimentados a tinto carrascão, mas o que sei é que ao som de uma flauta roufenha foram milhares os que se deslocaram para viajar uns minutos de borla.
Pela televisão vejo que as escadas rolantes fumegaram, o povo acotovelou-se e, pasme-se, vejo umas centenas de portugueses que alegremente entraram numas carruagens daquelas que servem apenas como expositor. Ou seja, daquelas que não se mexem… ficam paradas. São carruagens museu. Mas eles lá entraram.
A jornalista perguntava-lhes para onde queriam ir e cada um respondia um destino diferente; a jornalista dizia-lhes que aquilo não ia a lado nenhum e eles respondiam que já tinham ouvido uns boatos sobre o assunto, mas que insistiam em por lá ficar na esperança de que aquelas carruagens os levassem para o destino pretendido. E riam-se, riam-se uns para os outros. E por lá ficaram… parados dentro das carruagens perenemente imóveis.
É impossível não recordar os versos de Pessoa sobre o comboio descendente em que todos gargalhavam, uns por verem rir os outros e os outros sem ser por nada. É a metáfora feita realidade. Antes disso, já o maquinista Sócrates por lá tinha passado. Também ele sorridente.

Santarém, hoje.

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