'Qui devorant plebem meam, ut cibum panis.'

«Nestas palavras, pelo que vos toca, importa, peixes, que advirtais muito outras tantas cousas, quantas são as mesmas palavras. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo os devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão.
A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis

Padre António Vieira, "Sermão de Santo António aos Peixes"


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[Cada português paga 430 euros por ano para financiar os gastos com os gabinetes do Governo. São os salários dos assessores, os pedidos de pareceres e a contratação de especialistas. Tudo feito sem controlo.] (link)
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[Gastos não controlados pagavam quatro Otas.] (link)
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[A primeira auditoria realizada pelo Tribunal de Contas (TC) aos gabinetes ministeriais e dos primeiros-ministros dos últimos três governos revela falta de transparência nos processos de admissão, total discricionariedade na tabela salarial e mesmo situações ilegais.] (link)

Vrrruuum



Agora que o Rally de Portugal voltou a ter pilotos de nomeada, lembrei-me do que me levou a gostar de ralis: a vitória da Michelle Mouton em 82. Depois vieram os tempos em que torci pelo Kankkunen. Agora, já nem sei bem quem são os gajos que por lá andam, mas lá que aquilo continua a ser um espectáculo emocionante, continua.

Então, rapaz, nunca mais escreveste nada no blogue?

— Falta de tempo e falta de assunto.

Falta de assunto?! Então, o Salazar ganha um concurso televisivo, a Selecção joga duas vezes, a bosta rebentou de vez na Independente e dizes que falta assunto?

— A selecção jogou duas vezes, mas só correu 90 minutos. Estive foi preocupado com as possíveis lesões da malta do meu Benfica. Da Independente interessa-me a clarificação da atribuição de licenciaturas a dois flausinos que por aí andam. Do concurso televisivo do Salazar… está ao nível do Zé Maria de Barrancos.

Pois é. As coisas são o que são.

— É, e não podem ser diferentes.

A temperatura arrefeceu como o catano.

— E o catano é frio?

Não sabias?

— Não.

Não se fala de outra coisa, o catano é quase tão frio como o caraças.

— Se tiver tempo, farei um post sobre isso.

Isso o quê?

— Isso do catano e do caraças.

Imagens seminais. 42


1992. Reservoir Dogs. Quentin Tarantino.

Ao cuidado o sr. José e do sr. Armando.

Aqui [Buy a Custom Made Fake Diploma, Fake College Degree] ainda ficava mais barato e sempre era ligeiramente menos desonesto.

A actualidade de Shakespeare:

MACBETH
Hang out our banners on the outward walls;
The cry is still 'They come:' our castle's strength
Will laugh a siege to scorn: here let them lie
Till famine and the ague eat them up:
Were they not forced with those that should be ours,
We might have met them dareful, beard to beard,
And beat them backward home.

A cry of women within

What is that noise?
SEYTON
It is the cry of women, my good lord.
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[Quando um clamor interrompe o discurso de Macbeth, este pergunta — Mas que gritaria é essa? E Seyton responde — É o choro das mulheres, meu senhor.]
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Possibilidade de interpretação 1)
Neste momento, Macbeth apercebe-se, através deste importante choro, de que, à custa de tanto sangue derramado, de tantos crimes, de tantos triunfos maculados, se esquecera da existência de sofrimento. Como disse Jorge de Sena «E nada o comove ou faz tremer».

Possibilidade de interpretação 2)
Claro que tinha de ser o histerismo das gaijas! Só podia!!

Private Joke


Hoje, quarta-feira, pela meia-noite e qualquer coisa, ocorreu um valente equinócio. Foi o da Primavera. O próximo equinócio só ocorrerá lá para 22 ou 23 de Setembro. Segundo dizem, provocará mais entropias.

Para alívio de Portas:


Os beirões não batem em mulheres.” (link)

Disse Hélder Amaral, beirão, viseense, deputado, filiado na parte PP do CDS e participante no Carnaval que é o Conselho Nacional do dito partido.

A idiossincrasia dos Super Heróis. 8

The name above the title

"Inland Empire" de David Lynch

[Vai estrear no dia 5 de Abril, em Portugal]


Nikki: Some men change. Well, they don't change - they reveal. They reveal themselves over time, you know?

Imagens seminais. 41


1950. In a Lonely Place. Nicholas Ray.

“Está em melhor forma, ponto final” *

1) Não, não assobiei o Moretto. Sim, assobiei o nome do treinador do Benfica. Não, não gritei pelo Moreira quando o Moretto estava no chão agarrado a uma perna. Não, não aplaudi quando o Moretto se levantou. Sim, quando o Moretto deu mais um frango, chamei-lhe frangueiro. Olhei para o banco de suplentes e culpabilizei o incompetente que dirige a equipa técnica. Não, não entro em concurso de benfiquismo a medir se o meu benfiquismo é maior ou menor do que o do Fernando Santos. Não, não levo lições de benfiquismo de ninguém, particularmente dos que são profissionais pagos pelo meu clube. Não, não dou lições de benfiquismo a ninguém, particularmente aos que são profissionais pagos pelo meu clube.

2) Fernando Santos diz sentir que o Moretto lhe dá mais condições do que o Moreira. Sente-o em virtude do que vê nos treinos. O simples adepto sente o contrário. Sente-o em virtude do que vê nos jogos. São formas diferentes de sentir e ver. O treinador tem a responsabilidade de escolher, é a sua profissão. O adepto tem a responsabilidade de torcer pela equipa, é a sua paixão.

Isto das paixões tem muito que se lhe diga. Digamo-lo:

Moreira é nosso, é da casa. Caiu no goto dos adeptos. Conseguiu a nossa admiração pelas qualidades que lhe reconhecemos. Todos nos lembramos de que perdeu a titularidade de forma injusta quando Trapattoni o retirou da equipa depois de uma pesada derrota contra o Belenenses. Ninguém percebeu. O menos culpado fora o nosso Moreira, o nosso guarda-redes.

Passou para suplente e ninguém percebeu. Aceitamos a decisão, porque quem o substituiu (Quim) mostrou competência equivalente.

Moreira regressaria à equipa e lesionou-se. Entrementes, contrataram, à chapada, um outro guarda-redes, o Moretto. Passou a titular sem que ninguém percebesse porquê. “Valores” mais altos se levantaram, dizem…

3) Moretto habituou-nos ao melhor e ao pior, sendo que o pior era, efectivamente, muito mau. Estivemos metade de uma época a ver um frangueiro na baliza. O pesadelo acabou (pensava eu) naquela sucessão de frangos que o rapaz levou na última jornada da época passada. Vergonhoso!

4) Fernando Santos não se lembra disso. Nem pode, pois não estava por cá. Estava pela Grécia a perder um campeonato, mais um.

Lembrou-se, ontem, de o pôr na baliza do Benfica. O rapaz frangou, o público assobiou, o treinador amuou e reafirmou que o vai manter na baliza. Inicialmente, indignei-me. Agora penso que estive errado: efectivamente, de Fernando Santos espera-se isto. O contrário esperar-se-ia de um treinador vencedor. Fernando Santos não é, na minha opinião, um treinador competente. Ponto final.

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* Frase de Fernando Santos, para justificar a opção por Moretto em detrimento de Moreira.

Variação sobre a Hermenêutica Escatológica.

«Bom e discreto conversador, se a matéria obrigava à seriedade; filósofo eclético, alegre, rijo de estômago, cabralista por amor da ordem, e herege, porque negava que o Espírito Santo concorresse ao Concílio Tridentino. Em ciências eclesiásticas, ignorantíssimo por livre vontade do voto deliberado. Eis o abade de Santa Eulália.»

em

Novelas do Minho

Gabriel, amigo, o povo está contigo!

Ao que parece, o Gabriel Alves saiu da RTP em litígio. É pena! Numa altura em que a RTP comemora os 50 anos, decidiram retirar uma das mais emblemáticas imagens da Estação. Primeiro acabaram com aquela linda mensagem que dizia a “Emissão Segue Dentro de Momentos”, depois acabaram com os comentários daquela criatura única chamada José Nicolau de Melo, agora não nos permitem continuar a ouvir os comentários da bola do mestre Alves. Mas ninguém percebe que nos estão a arruinar o imaginário colectivo? Onde poderemos continuar a ouvir aquele “óóóóó’s” e “áááá’s” orgásmicos que o Gabriel Alves atirava ao microfone sempre que a bola passava a raspar o poste? Onde, meu Deus, onde poderemos voltar a ouvir a mais famosa expressão futebolística deste país: “A técnica da força e a força da técnica”?

Proponho que se faça uma petição a defender o regresso de Gabriel Alves à RTP. Mais, proponho que passe a ser o quinto “Gato Fedorento”… ou o novo apresentador do “Prós e Contras”.

[a imagem foi gamada do blogue do meu amigo S.L.B., sem consentimento e utilizando a técnica da força]

Coisas estranhas que se ouvem:

«A avó não é gótica… é poupada e tem meias pretas.»

O admirável mau feitio de House:


Dr. Gregory House: You can think I'm wrong, but that's no reason to quit thinking.

“Golo enrolado”

Novo eufemismo jesualdiano para denominar um 'frango' de Helton contra o Chelsea.

Imagens seminais. 40


1953. Niagara. Henry Hathaway.

O Bento do Benfica.

Foi hoje à tarde. Estava eu com um grupo de benfiquistas, estávamos a fazer um trabalho sobre o imenso espólio jornalístico do grande José Águas, quando um telefonema me diz que “Morreu o Bento do Benfica.” O Bento do Benfica.

Quando eu era fedelhito, queria ser guarda-redes, queria ser o guarda-redes do Benfica, queria ser o Bento do Benfica. A primeira vez que vi o Benfica ao vivo fiquei chateadíssimo, pois o guarda-redes era o Botelho. Era um joguito para Taça de Portugal, disputado no pelado do Municipal de Castelo Branco, a 4 de Janeiro de 1981, e o Baroti convocou o Botelho. Estava lá o meu Benfica, mas não estava lá o Bento do Benfica. Fiquei danado. Ganhámos, mas nunca perdoei ao Baroti.

Uns anos depois, poucos, lá o encontrei no jogo em que o César Brito se despediu do Sporting da Covilhã. O jogo foi disputado no pelado do Municipal do Fundão e o Bento estava na baliza do meu Benfica. Tinha um equipamento azul, o Neno estava no banco. Faltei às aulas, quase levei uma coça paterna, mas valera a pena: estivera a um metro, se tanto, do Bento, do Bento do Benfica. Mais, quase falara ao Bento, ao Bento do Benfica.

Muitos anos depois, esbarrei com ele no Estádio da Luz. O Bento já deixara de jogar, mas continuava a ser o Bento do Benfica e agora trabalhava nos escalões de formação: ensinava a sua arte. Sempre tive o descaramento para falar com qualquer jogador do Benfica que encontrasse, desde o José Augusto ao Shéu, mas nunca tive coragem de dirigir a palavra ao Bento. Era o Bento, o Bento do Benfica. Era o Bento daquela noite terrível contra Liverpool, o Bento do esplendor do Euro 84, o Bento que nos relatos radiofónicos evitava o golo que se avizinhava, o Bento que não tinha medo de pôr a cabeça onde muitos não tinham a coragem de pôr o pé. Era o Bento do Benfica. Na baliza, não era elegante, era empolgante como nenhum outro, era carismático como muito poucos. Era o capitão de equipa que punha toda uma defesa em sentido, era o futebolista que, da ingrata baliza, obrigava toda a equipa a reagir às adversidades. Era o primeiro a obrigar a equipa a procurar o golo, o golo que ele tantas e tantas e tantas vezes evitou. Era o número 1, era o Bento do Benfica.

Certo dia, em 2005, jantava na Catedral com um grupo de amigos, falava-se das grandes glórias que fizeram do Benfica ‘O Glorioso’, falava-se de todos, mas essencialmente do Bento. Nessa noite, surgiu a ideia de fazer um blogue dedicado aos antigos jogadores, mas no meu pensamento já sabia que a primeira homenagem seria ao Bento do Benfica. Esperei pelo cromo nº 100 e lá fiz a homenagem possível.

Passado algum tempo, uns jornalistas, numa entrevista sobre o referido blogue, perguntavam-me qual dos meus ídolos de infância gostaria de conhecer. Respondi que, acima de qualquer outro, gostaria de conhecer o Bento. Esses mesmos jornalistas fizeram o favor de lhe falarem de mim e do trabalho que era desenvolvido nesse blogue. O Bento agradeceu toda a admiração que por ele sentia e disse que «Se calhar também o ajudei a ser do Benfica. Sensibiliza-me esse gosto.» Imediatamente, decidi que teria que fazer uma entrevista ao Bento. Teria que falar com o Bento. Não falei. Telefonei ao Chalana, tentámos marcar datas para conversar sobre a sua carreira, mas não tive coragem de telefonar ao Bento do Benfica. Abordei o Humberto e o José Augusto, mas não tive coragem de falar com o Bento. O Bento era especial, era o Bento do Benfica.

Hoje à tarde, trabalhava eu no espólio jornalístico do grande José Águas, quando recebi um telefonema a dizer que “Morreu o Bento do Benfica.” Acabei por nunca lhe dizer que, efectivamente, ele tinha razão, pois também me ajudou a ser do Benfica. Acabei por nunca lhe agradecer essa ajuda.

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