E assim se escarra na história
Quinta-feira, Janeiro 26, 2012 by Pedro F. Ferreira

Foi agora, em 2012, que um capataz lusitano fez de capacho de uma Alemanha über alles e decidiu escarrar mais um pouco na memória de um país que nunca conseguiu cicatrizar feridas.
Aliás, é um Portugal em negação constante das mesmas. Até a bicheza rasca sabe lamber as suas feridas, Portugal finge não as ter e anda pela história com o corpo em chagas. Não inscreve nada na memória colectiva e as poucas memórias – coisas longínquas e anteriores à miopia de uma cambada de tecnocratas que zombam do humanismo com a mesma alegria com que um analfabeto zomba dos caracteres que lhe formam o próprio nome – que ainda vai tendo servem para ser escarradas por um qualquer ministro de olhos esbugalhado e focinho a fazer lembrar o trombil do queirosiano Conselheiro Acácio.
Foi hoje, mas é como se não tivesse sido hoje. Foi hoje que decidiram que coisas menores como celebrar a Implantação da República ou a recordação da Restauração da Independência nacional devem ser escamoteadas para um canto da sala, envergonhadamente a apanhar o pó do esquecimento. Foi hoje.
De vez em quando, muito de vez em quando, Portugal chega a horas ao encontro com a História. Mas é em vão, pois há sempre um futuro em que surge a mediocridade personificada num anão enfatuado e com mangas-de-alpaca para atrasar o relógio. [link]
Aliás, é um Portugal em negação constante das mesmas. Até a bicheza rasca sabe lamber as suas feridas, Portugal finge não as ter e anda pela história com o corpo em chagas. Não inscreve nada na memória colectiva e as poucas memórias – coisas longínquas e anteriores à miopia de uma cambada de tecnocratas que zombam do humanismo com a mesma alegria com que um analfabeto zomba dos caracteres que lhe formam o próprio nome – que ainda vai tendo servem para ser escarradas por um qualquer ministro de olhos esbugalhado e focinho a fazer lembrar o trombil do queirosiano Conselheiro Acácio.
Foi hoje, mas é como se não tivesse sido hoje. Foi hoje que decidiram que coisas menores como celebrar a Implantação da República ou a recordação da Restauração da Independência nacional devem ser escamoteadas para um canto da sala, envergonhadamente a apanhar o pó do esquecimento. Foi hoje.
De vez em quando, muito de vez em quando, Portugal chega a horas ao encontro com a História. Mas é em vão, pois há sempre um futuro em que surge a mediocridade personificada num anão enfatuado e com mangas-de-alpaca para atrasar o relógio. [link]
